Segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica, 49% dos brasileiros têm intenção de adquirir um imóvel nos próximos meses, índice que supera o registrado no mesmo momento de 2025

Mesmo diante de um cenário econômico marcado por juros elevados e maior rigor na concessão de crédito, o desejo do brasileiro pela casa própria continua firme. É o que revela a pesquisa mais recente da Brain Inteligência Estratégica, referente ao primeiro trimestre de 2026.

Segundo o levantamento, 49% dos brasileiros afirmam ter intenção de adquirir um imóvel nos próximos meses, índice que se mantém estável em relação aos períodos anteriores e supera o registrado no mesmo momento de 2025. 

O dado reforça um padrão consistente de interesse, indicando que o mercado imobiliário segue sustentado por uma demanda ativa, mesmo em condições econômicas adversas.

Jamil Lessa, sócio-fundador da incorporadora brasiliense Mirante, atua no ramo há mais de 20 anos e relata que é notável o aumento no interesse de compra de imóveis atualmente. 

Percebemos que o consumidor está mais seletivo, mas também mais decidido quando identifica um projeto que conversa com seu momento de vida e com seus valores. Isso mostra que, mesmo diante de desafios econômicos, o imóvel continua sendo visto como uma conquista importante e um investimento sólido para o futuro, avalia.

Jamil Lessa, sócio-fundador da Mirante Incorporações

A pesquisa também aponta que o imóvel continua ocupando um papel central na vida das famílias brasileiras. Cerca de 72% das compras têm como objetivo a moradia, sendo impulsionadas por mudanças de vida como sair do aluguel, formar família ou buscar mais espaço. 

Conforme observa Jamil Lessa, mais do que um bem de consumo, a "casa própria" é um símbolo de estabilidade e construção de patrimônio. "Hoje, as pessoas buscam lugares que acolham seus novos ciclos de vida e proporcionem mais significado para a rotina. Morar bem vai muito além do espaço físico atualmente. Envolve busca por estabilidade e bem-estar", comenta.

Desafios para fechar negócio

Apesar do forte interesse, a pesquisa evidencia um gargalo importante: a conversão em vendas ainda é limitada.

Nos últimos 12 meses, apenas 9% das famílias efetivamente compraram um imóvel. 

Os principais entraves para a concretização da compra incluem condições de crédito, capacidade de pagamento, adequação entre oferta e expectativa e momento de vida do consumidor.

Na capital do país, a inovação nos empreendimentos e o oferecimento do conceito de bem-estar nos imóveis pode ser uma saída para a conversão em vendas, como avalia Lessa. 

O mercado imobiliário vive um momento de evolução e é preciso inovar. Acredito que a conversão em vendas passa, cada vez mais, pela capacidade das incorporadoras e imobiliárias entenderem o comportamento das pessoas e entregarem projetos que façam sentido para a vida delas, afirma o empresário.

Jovens lideram intenção de compra

Um dos destaques do levantamento é o protagonismo da Geração Z. Entre os jovens, 59% demonstram interesse em comprar um imóvel, percentual que cresceu significativamente em relação a 2025. 

O dado contraria a percepção de que os mais jovens estariam menos interessados na aquisição imobiliária. Na prática, o desejo existe, mas depende de acesso a crédito e condições de entrada para se concretizar.

"Percebemos um aumento gradual no interesse do público mais jovem pelo mercado imobiliário. Embora tradicionalmente grande parte dos nossos clientes estejam na faixa dos 30 aos 50 anos, hoje já observamos uma presença maior de jovens da geração Z buscando o primeiro imóvel, principalmente os que valorizam independência e planejamento patrimonial desde cedo", revela Jamil Lessa.

Essa nova geração tem um olhar muito mais atento à experiência de morar. Eles buscam empreendimentos conectados com seu estilo de vida, com áreas compartilhadas qualificadas, que propiciem praticidade, sustentabilidade e identidade. Além disso, existe um desejo crescente por investir em algo que represente estabilidade e construção de futuro. Acreditamos que empreendimentos com propósito, arquitetura autoral e foco em bem-estar acabam criando uma conexão muito forte com esse público, porque dialogam diretamente com os valores que essa geração prioriza, acrescenta.

Perspectivas

Ainda de acordo com o levantamento, a atuação do mercado passa, cada vez mais, por entender o comportamento do consumidor e reduzir barreiras de acesso, especialmente no crédito e na adequação dos produtos.

Outro indicador relevante é o horizonte de compra: cerca de 68% dos interessados pretendem adquirir um imóvel em até dois anos, o que forma um estoque significativo de demanda futura. Esse cenário sugere que o mercado imobiliário deve continuar aquecido no médio prazo, embora com ritmo gradual de vendas.