_Suplemento ganha espaço entre não atletas e chama atenção por efeitos na cognição, envelhecimento e saúde da mulher_
Muito além da força muscular! A creatina já deixou de ser vista apenas como aliada de atletas de alta performance. Segundo a nutricionista Elisângela Weirich, o suplemento vem ganhando popularidade justamente por apresentar benefícios que vão além do ganho de força e massa muscular. “A creatina é muito mais do que apenas ‘combustível para os músculos’. Hoje sabemos que ela tem ação neuroprotetora e pode contribuir para a melhora da memória”, explica. Isso acontece porque o cérebro é um dos órgãos que mais consome energia no corpo, e a creatina auxilia na regeneração rápida de ATP (adenosina trifosfato) nas células cerebrais. A especialista também destaca os impactos positivos no envelhecimento. “Pensando em longevidade, esse suplemento ajuda a mitigar a perda de massa muscular e força, além de aumentar a densidade mineral óssea quando combinado com exercícios de força”, afirma. Esse efeito pode reduzir riscos de quedas e fraturas, especialmente em idosos. Outro ponto relevante está na saúde feminina. “Na fase lútea e na pós-menopausa, a creatina ajuda a manter a disposição física e contribui para a regulação do humor”, ressalta. Além disso, ela também pode ser uma aliada em processos de emagrecimento. “É um suplemento interessante para usuários das chamadas ‘canetas emagrecedoras’, pois ajuda a minimizar a perda de massa magra”, completa. *Quem pode se beneficiar — e quem deve ter cautela* Apesar da fama no universo esportivo, a creatina não é exclusiva para atletas de elite. De acordo com Elisângela, pessoas com rotina regular de exercícios também podem se beneficiar. “Ela pode ser o empurrão para melhorar o progresso nos treinos, especialmente quando há fadiga precoce, recuperação lenta, dores musculares e cansaço excessivo após os exercícios”, explica. A recomendação, segundo ela, é que a prática de atividades físicas ocorra pelo menos três vezes por semana para que a suplementação faça sentido. Grupos específicos também tendem a apresentar respostas mais expressivas. “Vegetarianos e veganos costumam notar benefícios mais intensos, já que as principais fontes naturais de creatina são as carnes”, destaca. Por outro lado, há casos que exigem atenção. “Indivíduos com doença renal pré-existente não devem usar sem acompanhamento médico, pois a suplementação pode sobrecarregar o sistema de filtragem”, alerta. Ela reforça, no entanto, um ponto importante: “A creatina não causa doença renal em pessoas saudáveis”. *Como perceber os resultados na prática* Diferente de suplementos estimulantes, que apresentam efeitos imediatos, a creatina atua por acúmulo no organismo. Por isso, os resultados aparecem de forma gradual — mas perceptível. “Na primeira semana, é comum um leve aumento de peso corporal e a sensação de músculos mais ‘firmes’”, explica a nutricionista. Já a partir da segunda semana, os efeitos começam a aparecer no desempenho físico. “O paciente percebe melhora em exercícios de curta duração e alta intensidade”, diz. Entre a terceira e quarta semanas, a evolução se torna ainda mais evidente. “Há uma melhor capacidade de completar o treino com menos fadiga”, afirma. A longo prazo, o impacto é estrutural. “Com o aumento da carga nos treinos, ocorre o ganho real de tecido muscular”, conclui. https://www.instagram.com/nutrielisweirich/ Fonte: Nutricionista Elisângela Weirich. Fotos: Amanda Berri.