“Brasil e Índia são parceiros estratégicos, com elevada complementaridade econômica e amplo potencial para desenvolver iniciativas conjuntas de longo prazo, com foco em desenvolvimento industrial, aumento da produtividade e fortalecimento da competitividade empresarial.” A declaração abriu a participação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, neste sábado (21), na abertura do Fórum Empresarial Brasil–Índia, em Nova Délhi. Rocha representou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) na missão oficial que acompanha a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, substituindo o presidente da entidade, Ricardo Alban.

Na sessão de abertura, o dirigente esteve ao lado do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana; do ministro da Fazenda, Fernando Haddad; da secretária adicional do Departamento de Promoção da Indústria e Comércio Interno da Índia, Himani Pande; do diretor de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Alex Giacomelli; da presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros; e da diretora-geral da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia (FICCI), Jyoti Vij, conforme a programação oficial do evento.

Comércio em expansão

Em seu discurso, Rocha destacou que a Índia é hoje o quinto maior parceiro comercial do Brasil e o segundo na Ásia, atrás apenas da China. Na última década, a corrente de comércio entre os dois países passou de US$ 5,6 bilhões em 2016 para US$ 15,2 bilhões em 2025, quase triplicando no período.

Apesar do avanço, o dirigente afirmou que o acordo preferencial entre Mercosul e Índia cobre apenas 16,8% do comércio bilateral, o que demonstra margem para ampliação das trocas e redução de barreiras tarifárias e regulatórias. “O potencial da nossa parceria é muito maior do que o observado até o momento. Precisamos aprofundar o diálogo e manter aberto um canal permanente de comunicação entre as indústrias dos dois países”, afirmou.


Agenda estratégica

Rocha apresentou as prioridades definidas pela indústria brasileira para o aprofundamento da relação bilateral. Entre os eixos estão o fortalecimento das cadeias industriais e dos sistemas de suprimentos, parcerias em inovação e transformação digital, cooperação em minerais críticos, transição energética e energias renováveis, além de acordos comerciais e facilitação de comércio.Também foram citadas cooperação em saúde, biotecnologia, agricultura, fertilizantes, indústria aeroespacial e formação de capital humano.

Segundo o dirigente, o objetivo é transformar a aproximação institucional em projetos concretos de investimento, inovação tecnológica e aumento da competitividade.

Programação e acordos

O fórum reuniu ministros brasileiros e autoridades indianas em painéis sobre tecnologia, minerais críticos, biocombustíveis, cadeia farmacêutica, inovação agrícola e agricultura familiar. A programação incluiu cerimônias de assinatura de memorandos de entendimento entre empresas e instituições dos dois países nas áreas de energia, saúde, indústria e educação.

Na sessão plenária do Fórum Empresarial Brasil–Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a parceria com a Índia fortalece o Sul Global e defendeu maior cooperação econômica e tecnológica entre os dois países. Segundo ele, o cenário internacional exige mais diálogo, investimentos e integração entre economias emergentes.

O encerramento do fórum consolida a missão como parte da estratégia de inserção internacional da indústria brasileira em um contexto de reorganização das cadeias globais de produção.