Cohousing, uma vida com ações comunitárias e laços de amizade
Paulo Melo
Font size:
12px
O projeto que chega a Curitiba não valoriza só a moradia, mas a convivência entre vizinhos como fator de qualidade de vida para quem passou dos 50, e segue com novos planos para o futuro longe da solidão.
O avanço da idade média da população brasileira já começa a redesenhar hábitos, políticas públicas e formas de viver. Pesquisas recentes indicam que o país envelhece em ritmo acelerado e que o grupo com mais de 50 anos apresenta hoje um perfil bastante distinto do passado: mais atento à saúde física e mental, socialmente conectado e, em muitos casos, disposto a seguir trabalhando e acumulando novos projetos. Esse cenário tem provocado mudanças na sociedade e impulsionado a busca por soluções que garantam autonomia, bem-estar e vínculos ao longo da maturidade.
Paralelamente, a economia colaborativa vem transformando diferentes setores, como transportes, turismo e trabalho, com modelos que valorizam o uso compartilhado, a redução de custos e, sobretudo, os contatos interpessoais - Uber e AirBnb são apenas os primeiros exemplos bem sucedidos. Conceitos como coworking ganharam força justamente por responder a um estilo de vida em que a interação social se torna cada vez mais relevante.
Esse mesmo movimento começa agora a encontrar respostas no setor habitacional, especialmente em um contexto de alta nos preços imobiliários e após um período marcado por confinamentos prolongados, que evidenciam os impactos da solidão, da falta de convívio e da dificuldade de ocupar o tempo de forma significativa.
Chegada do conceito a Curitiba
É nesse ambiente que iniciativas de moradia colaborativa vêm ganhando espaço ao redor do mundo. Entre elas, o Cohousing tem se destacado como um modelo que combina habitações privativas com espaços comuns, promovendo convivência cotidiana, cooperação e senso de pertencimento. Surgido na Dinamarca, nos anos 1960, o Cohousing foi pensado como alternativa ao isolamento crescente nas cidades e propõe comunidades intencionais em que cada morador mantém sua vida e sua renda de forma independente, mas participa ativamente da gestão e das atividades coletivas.
A arquiteta Tania G. Kopruszinski conheceu o conceito de Cohousing a partir de inquietações profissionais e pessoais. Ao longo da carreira, percebeu que muitos clientes, ao se aposentarem, passavam a questionar o tamanho e o significado das casas onde viviam. “Muitos buscavam outros lugares para morar, mas nem sempre se adaptavam. Comecei a pensar em como seria envelhecer de forma mais feliz e acompanhada”, relata. Durante a pandemia, participou de um curso internacional sobre Cohousing e, em 2023, integrou uma imersão em comunidades em funcionamento nos Estados Unidos, algumas com mais de 30 anos de existência.
A experiência reforçou a decisão de implantar o modelo em Curitiba. Assim nasceu o Vilarejo Senior Cohousing, em Santa Felicidade, idealizado por um grupo de pessoas com mais de 50 anos que acredita que interação social e cooperação são fundamentais para um envelhecimento saudável. O projeto prevê a implantação até 2028 de 20 casas térreas, com metragens de 60, 80 e 100 metros quadrados, todas adaptadas, inseridas em um terreno de mais de 11 mil metros quadrados. Cada morador terá sua residência privativa, mas compartilhará espaços coletivos pensados para estimular a convivência diária.
Convivência estimulada
No Vilarejo, a Casa Comum será o centro da vida comunitária, abrigando refeições, oficinas, rodas de conversa, atividades físicas e culturais. Hortas e jardins completam o cotidiano e funcionam também como espaços de aprendizado. A convivência é estruturada para que os moradores se conheçam, criem vínculos e assumam o compromisso de cuidar uns dos outros, respeitando a autonomia individual.
A chamada Casa Comum reúne ambientes para refeições, convivência, atividades culturais e recreativas. Já as áreas externas ampliam o uso coletivo e estimulam hábitos saudáveis. O objetivo é resgatar o sentido de “bairro”, no qual vizinhos se conhecem, cooperam e constroem relações de apoio mútuo.
Gestão descentralizada
A gestão do empreendimento seguirá os princípios da sociocracia, modelo de autogestão baseado no consentimento e não na votação tradicional. As decisões são organizadas em círculos temáticos, de acordo com habilidades e interesses dos moradores, como finanças, manutenção, alimentação, cultura ou mediação de conflitos. A proposta é garantir que todas as vozes sejam consideradas e que as decisões sejam compartilhadas, fortalecendo a confiança e o senso de pertencimento.
Além dos aspectos sociais, os reflexos do Cohousing na saúde têm sido amplamente estudados, em especial para as comunidades que estão na fase de envelhecimento. Pesquisas internacionais indicam que o isolamento social está associado ao aumento do risco de demência, doenças cardíacas, depressão, sedentarismo e hábitos pouco saudáveis. Estudos apontam ainda que pessoas socialmente isoladas podem apresentar taxas de mortalidade até três vezes maiores em comparação àquelas com laços comunitários e sociais mais fortes. Ao estimular a convivência cotidiana, o apoio mútuo e a participação ativa, o Cohousing contribui para a saúde física e emocional dos moradores, especialmente na maturidade.
Mudança no perfil populacional
“Mais do que um projeto arquitetônico, o Vilarejo Senior Cohousing é uma nova forma de viver a longevidade. Aqui, o luxo não está no mármore ou na piscina aquecida, mas na convivência. É um jeito de envelhecer entre amigos, com propósito e longe da solidão”, afirma Tania.
O Vilarejo Senior Cohousing, de Curitiba, surge em um momento em que o Brasil envelhece rapidamente. O empreendimento leva “Senior” no nome justamente porque é destinado para pessoas que já chegaram à maturidade e alcançaram a faixa dos 50 anos de idade. Dados do IBGE mostram que a proporção de pessoas com 60 anos ou mais quase dobrou entre 2000 e 2023, passando de 8,7% para 15,6% da população, com projeção de chegar a 37,8% até 2070. Ao mesmo tempo, cresce no país o interesse por moradias colaborativas, com iniciativas já em desenvolvimento em cidades como Campinas, Mogi das Cruzes e Petrópolis, além de projetos no Nordeste.
Para mais informações sobre o Vilarejo Senior Cohousing, entre em contato pelo telefone:
41 99104-7527 ou pelo Instagram @vilarejocohousing.
Serviço – Vilarejo Senior Cohousing Curitiba
�� Local: Santa Felicidade – Curitiba (PR)
�� 20 casas privativas, com áreas compartilhadas e gestão sociocrática
Leia também:

.gif)
.gif)


0Comentários